Entrevista Gui Cury @euamovinho
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Entrevista Gui Cury @euamovinho

Postado em: 25 de maio de 2022 • 4 min

Gui Cury é criador do  @euamovinho, um dos nossos perfis favoritos de conteúdo de vinhos no instagram. Confira nosso bate-papo com ele abaixo!

 

inquilino vinhos: Olá, Gui Cury. Muito obrigado pela sua disponibilidade em bater um papo conosco. Primeiramente, como você chegou no mundo dos vinhos? Como foi a sua “iniciação”? [risos]

Gui Cury: Eu sempre gostei de vinhos e isso vem desde a adolescência. Rs

Mas foi em uma viagem que fiz para Bordeaux que comecei a me aprofundar no universo dos vinhos. Tive a chance de fazer um curso rápido sobre vinhos por lá e quando voltei pro Brasil, já estava completamente apaixonado por esse universo.

 

inquilino vinhos: Sendo um dos principais criadores de conteúdo para o mundo do vinho, qual é a sua relação com os “recebidos”, e como você lida com os produtos que não lhe agradam?

Gui Cury: Por sorte eu acabo recebendo sempre bons vinhos. Mas às vezes acaba chegando algum tipo de vinho que não me agrada, daí não consigo falar nada sobre ele. Acredito que tem paladar pra todo tipo de vinho, principalmente no Brasil. Então o que eu acho de negativo não é tão importante para o mundo dos vinhos. Acabo focando em evidenciar o que é bom e o que acho que outras pessoas precisam provar.

 

inquilino vinhos: Na sua opinião, qual é a parte mais difícil de se trabalhar com vinhos no Brasil, e por quê?

Gui Cury: Na verdade existem vários problemas. O primeiro é o baixo consumo do vinho no Brasil, com isso entra o desinteresse pela grande maioria pelo tema. Em segundo, existem alguns pré-conceitos no Brasil (ou melhor, frescuras) que atrapalham ainda mais o consumo padrão do vinho. Como, por exemplo, achar que vinho é para ocasiões mais especiais, que deve ser tomado sempre com uma taça de cristal, fugir de vinhos screw-cap, torcer o nariz pra bag-in-box, etc. É muita frescura pra uma bebida que é como água na Europa, por exemplo.

Por último colocaria o gosto do brasileiro (consumidor) pelos vinhos. Uma grande maioria fica presa nos rótulos de sempre ou no gosto de sempre. Quem gosta de suave fica nessa luta pra beber açúcar até a diabetes aparecer. Assim como quem só toma grandes rótulos fica com frescura pra tomar vinho do dia a dia.

 

inquilino vinhos: Os vinhos do novo mundo são os absolutos favoritos do brasileiro, principalmente os que começaram a beber vinho há pouco tempo. Você acredita numa mudança no padrão de consumo, dando espaço a produtos nacionais?

Gui Cury: Na verdade vale ressaltar que os vinhos nacionais ainda são os mais vendidos no país (no grande montante). Mas quando se entra na linha de vinhos “finos”, realmente os chilenos, argentinos e afins, acabam sendo a preferência nacional.

O grande problema é que o brasileiro (mais interessado por vinhos especiais) ficou muito traumatizado com os vinhos nacionais. Como a grande oferta eram de vinhos de mesa – feitos com uvas americanas – acabou estigmatizando isso com o vinho brasileiro.

Mas com o tempo as vinícolas começaram a expandir a venda de seus vinhos mais finos, de guarda e afins, e já ganhou espaço na adega de muitos brasileiros.

Acho que o crescimento será bem notável para os vinhos brasileiros. Mas pra isso precisa de muita coisa… Começando com um “investimento” do governo (diminuindo tributações e fazendo campanhas de inclusão da bebida no cotidiano do brasileiro), vinícolas criando boas opções com valores mais baixos, blogueiros e influenciadores ajudando a disseminar o vinho brasileiro como uma boa opção… E muito mais!

 

inquilino vinhos: É sabido que tanto o consumo de vinhos, como o consumo de vinhos finos brasileiros tem apresentado expansão nos últimos anos. Quais entraves você enxerga para a manutenção desta tendência para os próximos anos?

Gui Cury: O vinho brasileiro é sensacional e têm diversas regiões pra serem exploradas… Mas o preço é um grande entrave.  O brasileiro padrão – que curte um bom vinho -, prefere investir mais num vinho português do que em um brasileiro do mesmo preço.

Se rolasse uma menor tributação do vinho, com um esforço das vinícolas pra produzir vinhos finos com valores mais acessíveis, com uma melhor informação da qualidade do vinho brasileiro pela mídia, certamente ia ter um crescimento bem grande no consumo dos vinhos brasileiros.

 

inquilino vinhos: Quais projetos e iniciativas referentes ao comércio no Brasil (seja de vinhos nacionais ou importados) você tem acompanhado que lhe interessam?

Gui Cury: Acho que o movimento da produção do vinho mais sustentável é sensacional. Vejo várias vinícolas lá fora e algumas por aqui, que já estão tentando fugir do uso de agrotóxicos, criando versões naturais e biodinâmicas. É um novo mundo dos vinhos! Que depois que se entra nele, é difícil pensar de outra forma.

 

inquilino vinhos: No seu dia-a-dia, fora do trabalho, costuma consumir vinhos brasileiros?

Gui Cury:  Eu gosto bastante de vinho brasileiro. Meus vinhos “do dia a dia” são sempre brasileiros. Assim como sempre gosto de provar vinhos nacionais diferentes. Sou um grande fã mesmo!

 

inquilino vinhos: Vocês tem como missão simplificar o consumo do vinho, muito em linha com o que pregamos. Na opinião de vocês, esse padrão de consumo, pode-se dizer “formal”, está com os dias contados no Brasil?

Gui Cury: Acho difícil. O Brasileiro, não saberia dizer o motivo, tem alguns pré-conceitos que são difíceis de serem quebrados. E esses conceitos acabam virando um padrão de consumo/relação com alguns temas. E um deles é o vinho.

Eu tenho até um post no meu site falando um pouco sobre como deveríamos ter “menos frescura” e “mais vinho”. Digo isso porque eu frequento alguns eventos com “entendedores de vinho”, temos um grupo no facebook sobre vinhos com mais de 250 mil membros, a página com mais de 450 mil fãs, etc. E com isso sempre estou analisando comentários, posts e afins.

O brasileiro tem muita frescura quando se trata de vinho.

Lógico que não o brasileiro que toma vinho de mesa suave ou coquetel composto. Esses tomam e tão pouco se importando se é numa taça de plástico, numa xícara ou até se o que estão tomando é considerado mesmo um “vinho”.

Mas o grande problema está nos que se dizem “apaixonados por vinho”, “enófilos”, etc.

Esses são de uma frescura tremenda. E que só atrapalham no consumo do vinho e disseminação da bebida como algo normal.

Uma grande aula pra entender o consumo do vinho sem frescura é só ir pra Europa, onde a bebida é considerada alimento e parte da “cesta básica”.

 

inquilino vinhos: Você tem alguma história engraçada para contar sobre esse assunto?

Gui Cury: Olha que loucura… Passei numa trattoria clássica em Milão (Itália), com uma história gigantesca). Eles fazem seu próprio vinho “de mesa” (lógico, feito com uvas viníferas e tudo mais) há décadas. Não preciso nem falar que o vinho no restaurante era mais barato que a água, né?

E como você bebe o vinho da casa? Ou qualquer vinho que você tomasse por lá (caso quisesse comprar outra garrafa de vinho)? Em copo de plástico.

Isso mesmo, os italianos de boas num restaurante clássico da cidade, tomando de boas o vinho da casa em copos de plástico.

 Imagine essa mesma proposta no Brasil?

Então… Por isso que por aqui a bebida vai ser consumida de forma “simplificada”, apenas quando a nova geração vier com essa proposta. Porque a geração antiga vai manter suas manias e frescuras até a morte.

 É como Einstein já disse, “É mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito”.

 

inquilino vinhos: Quais são os seus locais preferidos em São Paulo para sair tomar um vinho? Abra o seu coração… [risos]

Gui Cury: Minha casa. Não tem lugar melhor! Rs

Ou na casa de algum amigo, curtindo um bom vinho e conversando de boas. 

Mas pra quem quer conhecer um lugar tranquilo, pra provar diferentes vinhos eu acho bacana o Bardega. Você consome por dose e faz o auto-serviço.

De resto acho que restaurantes ou lugares especializados em vinhos, são muito mais focados em comissão (tentar vender sempre o vinho mais caro) do que em querer agradar o cliente que gostaria de inserir o vinho na sua mesa. Fora os valores demasiados nos vinhos padrões, taxas altíssimas de rolha e afins.

 

inquilino vinhos: Gui, muito obrigado pela gentileza e pelas respostas. Desejamos tudo de bom para você, e nos falaremos em breve! 🙂

Gui Cury: Eu que agradeço! Sucesso ao vinho brasileiro!

 

Curtiu? Siga o Gui Cury em @euamovinho e compartilhe com os amigos beberrões! 

 

Sabemos que isso já foi conteúdo pra cacete, e você já deve ter um inquilino por aí. Segue então um cupom de desconto para as porcarias que vendemos no site – isto é, tudo menos vinho: VI ESSA MERDA NO BLOG, tudo junto, em maiúsculas. Com desconto de 15%, você está praticamente roubando o inquilino. Corre lá, é por tempo limitado.

Beijos do inquilino 😉

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